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Pintura de Rita da Costa

Apresentação

A pintura de Rita da Costa poderia ser definido com um percurso da memória que, com o decorrer do tempo, parte da difusão dos pormenores até chegar à síntese conclusiva. Feito este processo, penetrando nas mutações que se vão sucedendo do registo de imagem, a pintora "caminha" do quase concreto ao mais abstracto e essencial.

Assim, numa primeira fase, chamada "Reflexos da Memória", os momentos, preenchidos de rostos ou paisagens, são como que reflectidos em água e distorcidos pelas suas correntes, pois a nossa percepção sensorial é subjectiva e, logo a interpretação que fazemos é quase sempre deformada e ilusória. Com efeito, o retrato ou a figuração assumem-se desde o início através do gesto de construção da figura e, cada vez mais, os seus contornos e cores diluem-se. A figura perde-se no fundo, como que "afundada".

Numa 2a fase, a paisagem ou cena torna-se totalmente abstracta, os momentos confundem-se, como se a velocidade da cena aumentasse e se tornasse imperceptível. As cores e os elementos pictoricos diluem-se em manchas que se assumem mais ou menos nitidamente, dando apenas informações gerais, como as tonalidades da cena e a localização de maior ou menor densidade de elementos.

Numa terceira fase, surge uma espécie de resumo claro e sintético do "momento", ou do que ali foi percepcionado, como se com o passar do tempo, tirássemos uma conclusão ou fizessemos um resumo. Nesta fase, a procura do essencial de cada cena leva ao encontro do desenho oriental da filosofia Zen, do facto de que, com apenas um traço, ou apenas um gesto, se resumir o primordial de um dado momento. Aqui, assume-se a pincelada como sendo o essencial de qualquer pintura e do gesto criativo do pintor.